Reconhecer os próprios limites é o primeiro passo em direção à competência emocional

Sabemos por experiência que reveses na vida são inevitáveis. Como lidamos com eles depende essencialmente da atitude mental que adotamos: podemos aceitar uma derrota como o fim de tudo, nos resignar e sofrer; ou podemos olhar para o que existe de força em nós, definir metas realistas e seguir em frente, mantendo a crença de que autossuperação é uma questão de tempo, confiança e persistência. Isso é o que costumamos entender por resiliência.

Mas não é sobre resiliência que quero falar neste post. Acredito que existe uma relação entre resiliência e competência emocional e é esta última que vou explorar aqui. Noutro post, falarei de resiliência no contexto da competência emocional.

Necessidades emocionais legítimas. É aceito como sinal de maturidade ser capaz de experimentar e expressar necessidades emocionais legítimas como frustração, raiva e o direito de dizer não, por exemplo. Isso é parte do que chamo de competência emocional. Para a maioria de nós, isso deveria valer. Infelizmente, não é o que acontece na vida de muitas pessoas, que desenvolveram, muito cedo na vida, um modo de lidar com as expectativas das pessoas ao seu redor baseado no medo e na repressão das próprias emoções.

A pergunta, então, é: “Como afirmar assertivamente minhas necessidades emocionais legítimas?”

Minha resposta está em se ter uma atitude mental positiva e ela envolve basicamente não deixar que nossas experiências do passado determinem nossas escolhas do presente ou nossas expectativas do futuro.

Embora possa soar como uma receita de livro de autoajuda, essa atitude se apoia na compreensão de que precisamos começar por reconhecer nossos próprios limites. Esse é o primeiro passo em direção à superação do que produz em nós dúvida, medo e aceitação passiva do que nos acontece.

O segundo passo é não negar nem reprimir nossas emoções legítimas, por mais tentador que possa ser acomodar interesses alheios ao custo de forçar e romper nossos próprios limites emocionais.

O terceiro passo é admitir que, quando deixamos de expressar nossas emoções, confirmamos e reforçamos a crença de que não temos o direito a dizer não, frustrar as expectativas que outros têm de nós, externar nossos desejos ou sentir raiva, por exemplo.

O médico canadense Gabor Maté escreveu em seu livro Quando o Corpo Diz Não: O custo do estresse oculto:

A competência emocional requer a capacidade de sentir as nossas emoções, de modo que estejamos atentos quando estamos passando por estresse; a capacidade de expressar nossas emoções com eficácia e, assim, afirmar nossas necessidades e manter a integridade de nossos limites emocionais; a facilidade de distinguir entre reações psicológicas pertinentes à situação presente e aquelas que representam resíduos do passado.

Pontos cegos e fragilidades emocionais. O trabalho do analista ou terapeuta não opera no campo do pensamento mágico ou da fantasia. O que a análise proporciona é a possibilidade de você identificar seus pontos cegos e suas fragilidades emocionais. A partir daí, é possível desenvolver uma maior competência emocional, construir uma visão de si mesmo e do mundo à sua volta livre da dúvida e do medo, livre da necessidade de se conformar às expectativas que outros têm de você e, principalmente, livre das exigências desmedidas que você impôs a si mesmo.

No final, você se transforma em uma pessoa mais integrada e emocionalmente mais competente!

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